Violência e Insegurança - Não vamos esquecer!
Postado em | Escrito por: Romildo Ribeiro de Almeida
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Quero esquecer tudo o que me aconteceu! Este é o desejo manifesto por todas as pessoas que já experimentaram uma situação traumática, seja ela uma enchente, um incêndio, um assalto, um acidente de automóvel, um seqüestro, estupro, perda, etc.

Esta seria uma boa idéia, não fosse tão difícil, senão, impossível, colocá-la em prática.

Difícil porque nosso psiquismo não esquece nada. Suponhamos uma pessoa que foi vítima de um seqüestro e viu sua vida estar por um fio. Após o susto, tenta se recompor vai a reuniões, festas, faz uma viagem e procura nem falar mais sobre o assunto. Todavia enquanto em uma parte do seu cérebro ficou registrado o acontecimento externo, em outra foram registrados todos os detalhes que ocorreram internamente. Ou seja, a pressão arterial, os batimentos cardíacos, a temperatura do corpo, o tônus muscular, etc. Assim, os detalhes do medo, também ficam armazenados na memória por longo tempo e em algumas pessoas são ativados provocando pesadelos, insônia, alucinação, depressão, dando origem ao que chamamos de fobia ou pânico e que é cientificamente conhecido como Distúrbio do Estresse Pós Traumático (DEPT)  ou PTSD em inglês.

Esse distúrbio ficou popular nos EUA depois da guerra do Vietnã, quando foi constatado que muitos soldados tinham crises de pânico anos após regressarem de combate.

Com o aumento da violência nas grandes cidades, está ocorrendo um fato curioso além de negativo: cada vez mais jovens, adultos e crianças estão procurando ajuda psicológica para lidarem com o medo de ser seqüestrado ou assaltado e o motivo nem sempre é um acontecimento real. As constantes cenas de violência exibidas diariamente na imprensa já estão sendo suficientes para provocar os sintomas do DEPT nas pessoas, conforme relata Márcio Bernik, coordenador do Amban (Ambulatório de Ansiedade) do Hospital das Clínicas de São Paulo em reportagem exibida no jornal Folha de São Paulo em (10/12/02).
Na mesma noite em que escrevi esse texto, minha filhinha acordou chorando no meio da madrugada e não conseguia mais dormir. Teve um pesadelo em que me via cheio de sangue pelo corpo. Detalhe: ela tem apenas cinco anos. E pensar que antigamente o maior vilão dos sonhos infantis era o bicho papão.

Esse sentimento de medo e insegurança que contamina a todos, já chegou ao inconsciente e de lá produz estragos que impedem que o cidadão tenha uma vida normal.

Mas como lidar com esse medo? A resposta é: traze-lo de volta para o consciente, falando sobre ele, descrevendo-o detalhadamente, desenhando-o, simulando-o e assumindo a posição ativa. Tentar colocar uma pedra em cima, não é um bom negócio, pois só alimentaria as defesas do inconsciente, o que faria aumentar os sintomas. Um psicólogo poderia ajudar muito nessa empreitada, pois só tomar remédio, pura e simplesmente, pode não resolver.

Tudo isso que mencionei, serve para lidar com o problema já instalado, porém, mais importante do que isso, é trabalhar numa dimensão maior que é o da prevenção. Se tivermos uma sociedade mais justa, mais fraterna, aí teremos a verdadeira paz.

Resumindo, a atitude mais eficaz para vencer o medo e derrotar a violência, parece ser a mesma tanto dentro como fora de nós mesmos: não vamos esquecer, vamos, sim, arregaçar as mangas e AGIR!

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