Postado em | Escrito por: Romildo Ribeiro de Almeida
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Só quem tem filhos adolescentes sabe o quanto é complicado quando chega a fase de namoro. Seria muito bom se pudéssemos contar com um manual de instruções sobre o assunto, mas como não temos, o melhor é encarar o fato sem apavoramentos.

Percebo pela minha experiência de consultório que os pais, influenciados pelo liberalismo apresentado na mídia, têm medo de assumir uma posição conservadora, pois não querem ser tachados de quadrados, sobretudo numa sociedade em que o ideal é ser moderno.

Mas a questão é: será que um adolescente na faixa dos 13 anos pode namorar?

Numa idade em que o corpo e a mente ainda estão em formação e o jovem está voltado para si mesmo, as emoções de qualquer natureza são muito intensas, mas passageiras. Nesse sentido, um adolescente não está pronto para lidar com um vínculo formal regulado por regras e compromissos.

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Quando um adolescente diz que está amando, leia-se: “eu quero muito essa pessoa” ou “eu não vou viver sem ela”. Esse “amor” não pode ser levado a sério, pois nessa fase, o egoísmo é natural e faz parte do desenvolvimento psicológico. O adolescente não quer abrir mão de nada, pois a sua tolerância à frustração é baixa.

Pais que assumem uma postura liberal e permitem que o namoro aconteça numa boa, muitas vezes o fazem por comodidade ou por omissão. Dizer: “Veja lá o que você vai fazer. Eu confio em você” é delegar ao jovem uma responsabilidade para a qual ele não está preparado.

Por outro lado, posições do tipo: “Você não vai namorar e fim de papo” também não surtem efeito, pois se não houver uma relação de respeito e obediência por parte dos filhos, eles vão namorar às escondidas o que seria pior. O canal de comunicação entre pais e filhos tem que ser mantido a despeito de qualquer conflito.

É importante, porém que os pais não tenham medo de participarem. Se, ao longo de anos, uma família construiu valores morais e religiosos que tanto pai como mãe prezam e seguem, por que ignora-los quando se trata de orientar os filhos?

Nenhum pai é obrigado a receber em casa namorados e namoradas que não aprovam!

Outra questão que merece ser entendida é o chamado “ficar” muito comum entre os adolescentes. Esse termo, aliás, tenta caracterizar um namorico inocente e sem compromissos, mas pode significar algo bem mais sério e comprometedor.

O ideal é que os pais antes de adotarem uma posição permissiva ou conservadora, conversem com os seus filhos sobre o que é para eles esse tal “ficar”. Esse jogo erótico-afetivo que envolve os vínculos sociais na infância e adolescência são normais e saudáveis ajudando o adolescente a lidar com os seus sentimentos e frustrações, base para o namoro futuro. Mas podem também significar compromisso e gerar sofrimentos.

Os pais podem e devem impor limites, todavia temos que ter em mente que o processo de educação é muito mais complexo do que imaginamos e vai além dos discursos verbais. Portanto, antes de qualquer atitude é preciso que nos perguntemos: qual o exemplo que estou dando? Saiba: o nosso exemplo de vida, as nossas experiências do passado e do presente ensinam muito mais do que qualquer frase tirada deste artigo. 

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