Campanha da Fraternidade 2012 e a Cracolandia
Postado em | Escrito por: Romildo Ribeiro de Almeida
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Jesus filho de Daví! Tende piedade de nós!

O tema da Campanha da Fraternidade deste ano, Fraternidade e saúde Pública é bem oportuno, pois nos faz ampliar a discussão sobre a realidade da saúde pública no Brasil e ao mesmo tempo mobilizar a sociedade e o Estado no sentido de possibilitar um atendimento digno e saúde para todos, especialmente aos mais necessitados.

Paralelo a isso, estamos acompanhando através dos noticiários da imprensa, a ação policial na cracolândia, na capital, desencadeada desde o início do ano pela prefeitura de São Paulo com o auxílio da Policia Militar.

O termo Cracolândia já é estranho por si mesmo, pois a terminação “lândia” no final da palavra significa “terra de” ou território de. Portanto, cracolândia indica que ali é um território do crack ou terra do crack, um gueto dos marginalizados.

É difícil aceitar que existe um lugar público como uma praça, frequentada e dominada por usuários de drogas. Chamar esse lugar de cracolândia é pior ainda, pois revela a passividade e o comodismo do governo e da sociedade, pois dá a impressão que usar drogas em praça pública é algo absolutamente normal.

A cracolândia nos faz lembrar dos leprosos citados na Bíblia porque para eles também não havia tratamento. Eram simplesmente excluídos do convívio social e ficavam marginalizados e entregues à própria sorte. A sociedade os tratava como impuros e os isolava. Jesus, pelo contrário, teve pena dessas pessoas e curou muitas delas.

Já os “leprosos” dos tempos atuais, são frutos apodrecidos que nós mesmos produzimos; são párias de uma sociedade desumana. Portanto, temos que vê-los em nós mesmos e não ignorá-los.

Infelizmente essa iniciativa do governo, soa mais como uma ação política visando as próximas eleições, pois não trata as causas do problema de maneira séria e profunda e sim os sintomas, dando ênfase à repressão.

Os habitantes das cracolândias do Brasil inteiro são doentes que sofrem e têm que ser tratados como tais. Não é só uma questão de polícia, mas de saúde pública.

O testemunho de um ex-usuário que viveu na cracolândia durante onze anos e que hoje ajuda na recuperação de dependentes químicos dando palestras, é um verdadeiro ensinamento que deve ser levado em conta se quisermos, de fato resolver o problema dessas pessoas.  Segundo ele, o usuário de crack já não tem mais uma consciência, já não é mais capaz de pensar e sentir. São homens e mulheres, jovens, adolescentes e até crianças que perambulam a cidade como zumbis atrás de um único objetivo: conseguir o crack, só por hoje.

Se quisermos ajudá-los a sair do vício temos que dar-lhes oportunidades de recuperar a dignidade perdida e para isso, temos que amá-los e não odiá-los.

Nós cristãos comprometidos com os ensinamentos do evangelho, temos que nos unir e lutar para que a Campanha da Fraternidade deste ano consiga, de fato, atingir os seus objetivos que é de mobilizar a sociedade e o governo para que a saúde esteja ao alcance de todos.

Que a justiça de Deus se estabeleça também entre os homens. Enquanto essa justiça não chega, só nos resta unir as nossas vozes aos gritos dos excluídos clamando: Jesus filho de Davi, tende piedade de nós.

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