As aparicoes Marianas e a Psicologia
Postado em | Escrito por: Romildo Ribeiro de Almeida
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Nossa Senhora aparece dentro ou fora das pessoas?

O tema aparições é muito complicado de se discutir. Não importa o que se diga a respeito, corre-se o risco de ser imprudente. Aliás, tudo o que se refere à fé gera polêmica. Todavia para se compreender melhor o que acontece em qualquer acontecimento religioso, temos que deixar o sagrado de lado e analisar o fenômeno como se fosse um outro qualquer, do contrário, correremos o risco de sair por aí acreditando, ingenuamente, em tudo o que se ouve ou vê.

De acordo com a CNBB, existem mais de 310 casos de aparições catalogadas, fora as que chegam diariamente e que ainda não foram analisadas. Em geral a estrutura das aparições é sempre a mesma isto é: revelam um quadro apocalíptico do mundo, falam de castigos à humanidade caso os homens perseverem no mal, pedem conversão dos pecadores e por fim ditam os meios para atingir a conversão que normalmente são o jejum, a penitência, a reza do terço, a comunhão e a consagração à Nossa Senhora.

Fiz uma extensa pesquisa sobre esses fenômenos e observei que se dividem em antes e depois de Fátima ou seja: Até 1917, as aparições não eram tão freqüentes. Porém depois que os três pastorzinhos relataram como viram a Virgem Maria e o que ela falou, tivemos aparições acontecendo em todo o mundo, todas muito parecidas com  as de Fátima.

É claro que se utilizarmos somente a razão para entender esses fenômenos, iremos duvidar de sua veracidade. Começaríamos argumentando que seria muita pretensão querer acrescentar algo mais à revelação de Deus, pois esta terminou com a morte de São João e ponto final. Suspeitaríamos também dos videntes. Por que são sempre crianças e adolescentes que dizem ver Nossa Senhora? Seria porque são mais sugestionáveis? Não seria mais confiável se Nossa Senhora falasse aos idosos que têm mais credibilidade? E por que Nossa Senhora necessitaria de porta vozes? Não poderia ela ter falado diretamente com o papa ou com os bispos se quisesse revelar segredos ou pedir a construção de templos? Se investigássemos também a personalidade dos videntes, poderíamos argumentar que quase todos apresentam problemas de ordem afetiva que os impediriam de enfrentar os desafios normais que a vida impõe a quem quer viver, como namorar, casar, ter filhos, trabalhar etc. Então diríamos: “isso é comportamento neurótico. Eles querem alcançar como videntes, o sucesso que não conseguiriam como pessoas normais”.

Mas, se esgotássemos todos os nossos argumentos racionais e concluíssemos que Nossa Senhora não aparece, senão na cabeça de alguns malucos, essa mesma razão iria se deparar com uma questão intrigante, ou seja: Porque esses fenômenos estão se repetindo com tanta regularidade neste século? O que significa isso para a humanidade?

É aqui que entra a psicologia. Independente de serem ou não verdadeiras, essas aparições são reais, pelo menos, enquanto fenômenos psíquicos. Nosso psiquismo possui uma camada que é coletiva. Jung chamou isso de inconsciente coletivo. Nosso inconsciente poderia expressar através de sonhos, visões ou alucinações, problemas que pertenceriam à humanidade como um todo.

O que tem caracterizado este século é o domínio do pensamento. Estamos na época das altas tecnologias e as religiões estão perdendo seu conteúdo. Não têm mais a função de religar o homem a Deus. A maioria delas só fala em satisfação das necessidades imediatas, como curas e prosperidade material, paz e bem estar. Isso é importante, mas não satisfaz a necessidade religiosa que está dentro da alma. O homem moderno corre o risco de se desestruturar e as aparições são, no mínimo, um alerta para a humanidade. Nossa Senhora aparece então como símbolo da mãe no inconsciente que tenta resgatar a unidade perdida. É um aviso de que algo está errado conosco e existe um ditado que me parece, aqui bem oportuno para terminar este texto: “Quem avisa, amigo é.”

            Romildo Ribeiro de Almeida

Psicólogo especializado em   parapsicologia

 

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