Um tapinha nao doi
Postado em | Escrito por: Romildo Ribeiro de Almeida
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Sei que esta coluna deveria tratar das interfaces entre Psicologia e Religião, assim como o meu amigo Pe. Elísio, aqui do lado escreve sempre sobre os problemas da família. Mas como comemoramos recentemente o dia Internacional da mulher, não resisto à tentação de escrever alguma coisa sobre a atual condição da mulher na nossa sociedade.

Infelizmente o que tenho a escrever não é muito bom já que a mulher entrou neste milênio convertida em popozuda, embalada pela invasão Funk. É com razão que o grito de guerra das galeras nos bailes funks é: “Tá dominado, tá tudo dominado”. Realmente, estamos todos dominados, pois senão, vejamos:

É certo que a mulher, de uma forma em geral, alcançou uma considerável melhora na sua participação social, já que, segundo as estatísticas do Ministério da Educação, do reduzido número de pessoas que conseguem concluir uma faculdade até os 21 anos, a maioria é do sexo feminino. Também não se pode negar que a mulher avançou no mercado de trabalho, ocupando postos que antes não ocupava, nem que a diferença de salários entre homens e mulheres foi sensivelmente reduzida nos últimos tempos.

Não se pode, porém, dizer que a mulher reduziu sua função de objeto de consumo sexual, pois não é raro encontrar nas ruas, um outdoor com a foto de uma “popozuda” fazendo propaganda de algum produto que não tem nada a ver com o corpo feminino. Ora, usar a foto de uma mulher, com trajes diminutos numa propaganda de absorventes, langeries ou perfumes, até que tem algum sentido. Agora usá-la numa propaganda de parafusos, é puro apelo sexual e é isto que, normalmente acontece. Propagandas desse tipo funcionam como uma sugestão indireta à nossa mente inconsciente para que se reduza o valor e a importância da mulher. Transformam-na numa isca sexual para atrair consumidores e o homem, nesse contexto, é convidado a valorizar a mulher apenas nos seus atributos sexuais, desprezando outras qualidades. Fica, assim reduzido a um mero idiota. Na televisão, nem se fale. Os níveis de erotização dos programas de auditório e das novelas já ultrapassaram os limites do suportável.

As letras da música funk, bem como as coreografias da dança são de extremo mau gosto e revelam o que há de pior em termos de cultura. Quem se escandalizava com as coreografias da Axé music, não imaginava o que estava por vir e o pior é que veio mesmo. O que antes era implícito e apenas sugeria o ato sexual, agora é explícito e deu lugar ao ato sexual propriamente dito, na chamada dança das cadeiras.

Para quem não sabe o que é  a dança das cadeiras, de acordo com assistentes sociais da Secretaria Municipal da Saúde do Rio de Janeiro, essa dança acontece em áreas reservadas dos bailes. Consiste no seguinte: Os homens ficam sentados rodeados por meninas. Quando a música pára, elas se sentam no colo de quem está à sua frente. O som volta a funcionar, e a roda continua até a escolha de um novo parceiro. Não é necessária muita imaginação para adivinhar o que acontece nesse jogo erótico. Isso mesmo. Adolescentes grávidas relataram às assistentes sociais que engravidaram na “dança das cadeiras”, uma das adolescentes era portadora do HIV.

Depois desta reflexão, fica a pergunta para ser respondida pela sociedade: Será que tapinha não dói mesmo?

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