cultivar a paz
Postado em | Escrito por: Romildo Ribeiro de Almeida
0 Comentário

Quando se aborda o tema violência, a ideia que vem em mente é a violência apresentada nos noticiários de TV e estampada em fotos de jornais. Mas, devemos saber que aquela violência deprimente e visível aos nossos olhos começa na violência que temos dentro de nós mesmos. Sim, o ser humano é violento por natureza. A nossa base biológica e psíquica remonta a histórias dos animais que lutavam para obter comida, abrigo e procriação.

O ser humano civilizado sempre esteve longe de conviver com a paz quando entra em questão alguma forma de disputa. As primeiras civilizações conviviam com guerras territoriais, guerras pelo poder, pelas riquezas minerais entre outros motivos. A violência urbana também está relacionada com disputas pelo tráfico, por dinheiro, por parceiros sexuais e até por espaço no trânsito caótico. A verdade é que a violência está impregnada no nosso subconsciente e esta consciência de paz e harmonia é apenas uma leve capa que separa um mar de experiências de barbárie que repousa dentro de nós.

A história da humanidade foi construída com catapultas, baionetas, canhões e hoje, bombas atômicas. Brevemente vamos reviver na Liturgia da Semana Santa os sofrimentos de Jesus no Calvário e certamente quando chegar o momento do “Crucifica-o” vamos pensar: meu Deus como aquele povo judeu era mau. Graças a Deus que somos cristãos. Mas infelizmente temos que aceitar que dentro de nós, nas camadas mais profundas do nosso inconsciente, estão as figuras detestáveis que, com orgulho, reprimimos.

A boa notícia é que paralela a essa base violenta, reside também no nosso inconsciente a figura daqueles homens de paz como Dalai Lama, Nelson Mandela, Gandhi, Luther King e Jesus Cristo. Porque não nos identificamos com eles? Para plantar boas sementes precisamos de muito preparo enquanto que as ervas daninhas crescem na proporção de cem por um. Isso significa que o mundo precisa de experiências concretas de paz. Iniciativas simples que visam o bem comum independentemente de credo religioso e da convicção política ou ideológica.

Jesus nos ensinou muito sobre humildade. Devemos saber que não somos melhores do que aqueles que condenamos, pois ao menos, no inconsciente, somos iguais. Eles pecam, nós pecamos, todos pecam. Devemos cultivar a paz primeiramente dentro de nós mesmos, depois na nossa família no nosso bairro e em toda a sociedade. Vamos começar antes que seja tarde.

 

Romildo R.Almeida

Psicólogo clínico

Entre em contato!


Deixe uma resposta