Os espiritos dos mortos agem neste mundo
Postado em | Escrito por: Romildo Ribeiro de Almeida
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Acho interessante alargar um pouco mais a discussão sobre  a hipótese da comunicação com o além e a possessão espiritual já que faltam argumentos àqueles que tomam como verdade os incríveis fenômenos que tentam demonstrar essa possibilidade. No mês passado, falei sobre Regressão a vidas passadas. Mostrei a contradição de muitos cristãos católicos, dizerem durante a missa:  “creio na ressurreição da carne”, e ao mesmo tempo acreditarem em reencarnação e outras vidas. Mas isso não é tudo. Existem outras argumentações que influenciam as pessoas fazendo-as se convencerem de que os espíritos dos mortos podem agir no nosso mundo. É o caso das mensagens psicografadas pelos médiuns, da brincadeira do copo, incorporação mediúnica etc. Abordarei esses fenômenos nos próximos artigos.

Hoje quero discutir um argumento muito utilizado por católicos que acreditam também na ação dos espíritos dos mortos ao defenderem seu ponto de vista. Estou falando dos trechos bíblicos a respeito de incorporações espirituais. Em  Mc 9,14-28, temos a narrativa da cura de um possesso epiléptico e mudo que diz assim: “…Mestre, eu vos trouxe meu filho, que está possesso de um espírito mudo. Onde quer que este espírito o apanhe, lança-o por terra e ele espuma, range os dentes e seu corpo se torna rijo. Pedi a vossos discípulos que o expulsassem, mas eles não o puderam.” Jesus respondeu-lhes: “Ó geração incrédula! Até quando vos hei de suportar? Trazei-o a mim”. Eles o levaram. Logo que viu a Jesus, o espírito agitou o menino com violência e este caído por terra, revolvia-se espumando. Jesus perguntou ao pai do menino: “Quanto tempo faz que isto lhe acontece?” Respondeu-lhe: “Desde a infância. E muitas vezes o espírito o atirou ao fogo e a água, para o matar”.

No final, Jesus faz aquilo que seus discípulos não puderam fazer, isto é: Cura o menino, ordenando que o “espírito mau” saísse. Essa passagem bíblica balança qualquer um e dá margens à crença da ação dos espíritos dos mortos. Mas raciocinemos: em primeiro lugar o objetivo da bíblia não é ensinar ciência e sim falar do plano de Deus para a salvação do homem. Quem espera encontrar na bíblia, noções de psicologia, psiquiatria ou medicina, pode se dar mal. Não esqueçamos que a cultura do povo Judeu foi intensamente influenciada pelos Caudeus que era o povo mais mágico e supersticioso  da época. Acreditavam que o mundo era povoado por espíritos bons e maus. Para eles as doenças nada mais eram que possessões espirituais. A psiquiatria tal como, hoje, a conhecemos, só viria a surgir 1900 anos mais tarde. Acreditar que Jesus iria receitar  Gardenal ou Tegretol seria muita inocência. Também não iria explicar que a causa da epilepsia poderia ser devido a um trauma da infância. Nem o pai do menino, nem os discípulos entenderiam  afinal, Freud ainda não existia naquela época. O que fez, então Jesus? Simplesmente curou o menino respeitando a cultura e a crença daquele povo e daquela época. Jesus não fazia mágicas. Ele era construtivista ou seja, aproveitava o conhecimento popular para ensinar. Não fazia milagres à toa. Naquela época só um milagre curaria uma epilepsia, assim como hoje, algumas doenças só se curariam por milagre.

Dois mil anos depois, muitos continuam acreditando em possessões espirituais. Engordam as salas dos templos de espiritismo e a conta bancária de falsos líderes religiosos que criam seitas e empresas que ganham rios de dinheiro à custa da boa fé do povo. Mas o que fazer? As pessoas não compreendem que a medicina, a psiquiatria e a psicologia só foram possíveis graças à inteligência, a dedicação e a criatividade do homem que soube bem  utilizar os dons do Espírito Santo. Não sabem que o médico e o psicólogo estão, pela graça de Deus, em favor de sua saúde física e psíquica, assim como o sacerdote está para a sua vida espiritual e isto nada tem de incompatível. Um não substitui o outro, e sim, se completam.

Conclusão: se acreditamos que a causa das doenças são ações dos espíritos em nossas vidas e por isso temos que procurar apenas ajuda espiritual desprezando a ciência, então eu pergunto: por uma questão de coerência, por quê não voltamos a andar a cavalo ao invés de usarmos o carro? Por que não trocamos também o moderno forno de microondas pelo velho fogão a lenha? Por que não substituímos o telefone celular pelo pombo correio? Já que não fazemos isso, então vamos usar, sem medo, as ferramentas que o próprio Deus nos concedeu para vivermos melhor.

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