praticar o suicídio
Postado em | Escrito por: Romildo Ribeiro de Almeida
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Você seria capaz de participar de um jogo cujo objetivo final seria praticar o suicídio? A princípio, a pergunta parece boba, pois é difícil imaginar que alguém poderia fazer isso. Mas infelizmente casos de suicídio entre jovens e adolescentes vêm aumentando no mundo todo, inclusive no Brasil, em decorrência de um jogo.

Refiro-me ao jogo da Baleia Azul. A baleia, em termos psicanalíticos, é um dos símbolos do inconsciente porque habita o fundo do mar e ocasionalmente vem à tona assim como o inconsciente que de vez em quando se torna consciente. O azul, por sua vez, é a cor símbolo da depressão.

O jogo foi criado por Filipp Budeykin um jovem russo de 21 anos que está detido desde o ano passado em San Petesburgo na Russia. Consiste em 50 desafios que o participante deve completar. Começa com passos relativamente “leves”, como acordar de madrugada e assistir a vídeos assustadores e evolui para passos mais perigosos como cortar as veias do próprio pulso e comprometer-se com a data da própria morte. Em outro passo o seguidor tem que mutilar alguma parte do corpo desenhando uma baleia. No último passo deve pôr fim à própria vida diante da webcam. Todos esses passos são monitorados por supervisores chamados de “curadores” que enviam ameaças do tipo: “se você não fizer isso a gente te mata” ou “matamos a sua família”.

Por que os adolescentes são tão vulneráveis?

Os adolescentes são as vitimas principais já que estão em um estágio de desenvolvimento psicológico em que a aprovação social é um fator importante. Ser diferente para um adolescente significa estar sozinho e por isso, pertencer a um grupo traz segurança. Isso explica sua adesão às tribos sociais que compartilham as mesmas ideias, comportamentos e modos de vestir. Some-se a isso a necessidade de correr riscos (adolescentes têm prazer em desafiar os próprios limites). A depressão, ansiedade e autoestima rebaixada, também são fatores que podem levar o jovem a envolver-se com esses grupos.

Na outra ponta do fenômeno estão os psicopatas, indivíduos de instinto sádico, que têm prazer em provocar sofrimento nos outros. São os curadores que monitoram os participantes e os induzem a participar e cumprir com as etapas. É importante salientar que, de acordo com a legislação brasileira, “induzir ou instigar alguém a praticar o suicídio ou prestar-lhe auxílio para que o faça é crime sujeito à reclusão de dois a seis anos, se o suicídio se consumar; ou de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave” (cf. art. 122 do Código Penal Brasileiro).

A verdade, meus amigos, é que os nossos jovens estão pedindo socorro num grito silencioso e solitário que parte da escuridão dos seus quartos fechados e viaja nas conexões de internet, enquanto nós, educadores, estamos dormindo.

A responsabilidade é nossa. Precisamos fazer a nossa parte oferecendo-lhes um ouvido atento além de acompanhar passo a passo os seus desafios no jogo da vida, este sim o jogo que vale a pena ser jogado. Paradoxalmente, temos que aprender com os psicopatas que estão na internet. Eles têm tempo, disposição e criatividade para estar presentes na vida dos nossos filhos. Não podemos deixar que, nesse aspecto, eles sejam melhores do que nós.

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